quarta-feira, 18 de março de 2009

Proposta de hino: Por um bloco que derrube esse coreto

Como compete a nós, homens, o dever de servir a vocês, mulheres, em todos os seus caprichos, publico, em nome da componente Dama da Ponte, o texto que segue:

"Não é novidade que a moça que vos escreve é absolutamente fanática por Elis Regina.

Desde o primeiro LP, Viva a Brotolândia – lançado quando ela tinha 16 anos e morava na Vila do IAPI –, até o triste e último Trem Azul – de 1982, ano em que morreu –, grande parte do que Elis gravou já tocou incansavelmente na minha “vitrola”.

Tal adoração, bairrismos à parte, não se deve ao fato de que ela nasceu em Porto Alegre, ou que era gremista, ou que estudou no Instituto de Educação General Flores da Cunha e costumava descer a Barros Cassal correndo quando estava atrasada para a aula. Mas sim porque conseguia cantar e chorar ao mesmo tempo.

E tudo que Elis gravava do Chico ou do Gil ficava maravilhoso. E o Milton Nascimento costumava compor pensando em como as canções ficariam na voz dela. E ela tinha um apelido dado por Vinícius de Moraes (Pimentinha).

Em uma carreira 20 anos, foram mais de 25 LPs. Muita coisa para quem morreu aos 36 anos. E para quem tinha 1,53m de altura.

Bem, o mérito maior, no entanto, é o seguinte: Elis sabia o que cada letra queria dizer. Conhecia a diferença entre música alegre e música triste e mostrava isso com a voz.

Então cantava Atrás da porta com a dor de quem acabou de se separar e Vou deitar e rolar em meio a gargalhadas, fazendo deboche. Quando era a vez de Romaria, unia as mãos esticadas junto ao microfone, como quem reza.

Além disso, respeitava o samba, razão que originou este post. O nosso bloco é um bloco alegre. Logo, merece um hino alegre (e que de jeito nenhum concorra com Vou festejar, que poderá ser o nosso mantra, quem sabe).

Então proponho o samba “Plataforma”, do João Bosco, como hino do Três Pra Trás Entrega os Taco. Em homenagem ao Carnaval, à MPB e a quem derruba o
coreto.


sábado, 14 de março de 2009

Esportes populares, uni-vos!



Há ainda os que pensem que o Taco não é popular. Pois está na hora de usarmos nosso poder de persuasão para mostrar para esse pessoal que poucas atividades são tão praticadas e tão conhecidas no Brasil.

Além do Taco, há apenas alguns esportes que possuem tal característica. Dentre eles estão o futebol, a capoeira e, claro, o avião de papel.

Ontem, na maior universidade do país, foi disputada etapa paulistana do Mundial de Avião de Papel, cuja final acontece na Áustria. O Gê Um, o Jornal Hoje e o SPTV (acima) deram ampla cobertura para o evento (confira fotos), como não poderia deixar de ser. Em breve, ocorrerá a etapa porto-alegrense do torneio.

Entrevistado por este blog, um dos diretores das Organizações Globo - que prefere manter seu nome em sigilo - garantiu que suas diversas equipes de jornalismo, inclusive as do Gê Um e do Jornal Hoje, já se preparam para trabalhar na Copa do Mundo de Taco, em 2010, na Praia do Cassino. A diretoria do bloco Três pra Trás Entrega os Taco, porém, alerta que a Globo ainda não fez seu credenciamento para o Mundial e que precisa correr, porque diversos veículos da imprensa internacional já estão habilitados a cobrir a Copa.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Repertório: Lá vem a Viradouro aí

Desculpa informar, mas tem um samba da Viradouro que tu conheces.

Em 1997, a escola de Niterói (pronuncia-se niterroá, en français) veio de Joãosinho Trinta e lançou uma novidade na Sapucaí: a paradinha funk.

Era irresitível: no meio do interminável espiral (do silêncio?) do samba de enredo, repetido e repetido e repetido, eis que a bateria dá a tradicional e bela paradinha. Mas aí, em vez de recomeçar no samba acelerado que se espera, bate como o pancadão carioca, bem espaçado e marcado.




Lá vem a Viradouro aí, meu amor!
É Big-Bang, coisa igual eu nunca vi!
Que esplendor!

Vem das trevas, tudo pode acontecer
A noite vira dia, luz de um novo amanhecer!
Vai, meu verso, buscar a Terra em embrião
Da poeira do universo
Desabrocha a natureza em expansão
Oh! Mãe Iemanjá, deusa das águas!
Nanã, deixa o solo se banhar!

Ora, iê, iê, ô, mamãe Oxum
Vem com ondinas reinar

No fogo a salamandra a dançar
As pombas brancas simbolizando o ar
Explodem as maravilhas
Vejo a vida brilhando afinal!
Surge o homem iluminado
Com hinos de luta e cantos de paz:
É o equilíbrio entre o bem e o mal
E com o coração nesta folia
Seja noite ou seja dia, amor
Eu quero me acabar!

Vou cair na gandaia
Com a minha bateria
No balanço da mulata
A explosão de alegria

O legal desse vídeo é que, no exato momento em que a bateria faz a parada funk, aos 2min50seg, o Fernando Vanucci (Alô você!) resolve fazer um comentário. Ó:

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ata de fundação

O pedaço de papel no qual registrou-se a fundação do Três pra trás deveria ser a primeira coisa a dar as caras aqui no blog.

Entretanto, por iniciativa da componente Pupila do Saara, o guardanapo de papel histórico foi receber a bênção dos orixás e do Senhor do Bonfim em Salvador da Bahia, durante o carnaval 2009.

Consta que, apesar de sua aparente fragilidade, o papel resistiu à briga entre o Senhor e Ogum, que tentaram, a golpes de taco, tomar posse da ata.

Ao perceber que perderia a disputa, o representante da mitologia yorubá teria jogado água de cheiro sobre as palavras escritas na tentativa de borrá-las. No momento crucial, Oxalá, o pacificador, lançou um feitiço e recuperou a integridade da tinta.

Eis, portanto, depois de perigosa jornada, para que o mundo reverencie, o documento que nos confirma a existência:

domingo, 1 de março de 2009

Grande Encontro do Samba


Fotos: Divulgação

É sabido que os componentes do Três pra Trás habitam os mais diversos confins do Brasil. Contudo é na capital gaúcha que se concentra a maioria deles - pelo menos por enquanto.

Então, os que estiverem em Porto Alegre no dia 21 de março, e quiserem começar o aquecimento para fevereiro de 2010, podem curtir o encontro de duas gerações do samba, no Pepsi On Stage.

A Madrinha dispensa apresentações. Essa será uma ótima oportunidade para o nosso Pierrot Solene cantar Vou Festejar com ela e evocar suas especiais lembranças.

Diogo Nogueira é filho do mestre João Nogueira e tem sido considerado a grande revelação do samba contemporâneo. Em seu DVD Ao Vivo, ele canta a faixa "Espelho" - de autoria do pai - junto deste. A voz do, infelizmente, já falecido João surge ao fundo, num momento emocionante do show.

O componente Javé Pagão alimenta grande apreço pela canção. Perfeita para embalar os primeiros preparativos do dia do desfile.



Espelho
João Nogueira

"Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz

Ê, vida boa! Quanto tempo faz...
Que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai

Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás

Ê, vida à toa... Vai, no tempo, vai
E eu sem ter maldade
Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com deus por me levar meu pai

E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o “bambambam” da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo

Assim, sem perceber, eu era adulto já

Ê, vida voa... Vai, no tempo, vai

Ah! Mas que saudade!
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar"